Congresso Nacional ou Quartel das PMs? 2026 a eleição de fardas!



Congresso Nacional ou Quartel das PMs? 2026 a eleição de fardas!

Antes de me aprofundar nesta conversa quero informar que sou filho de bombeiro da policia militar de São Paulo. Meu pai foi assassinado em um assalto em 1996, há trinta anos. Éramos muito ligados e o sonho dele era me ver de farda. Bem, nesse ponto eu nunca, nem de longe desejei realizar seu sonho. Faz parte. E só para constar tenho muitas saudades dele. Não me esqueço de uma frase dele dita a mim muitas vezes durante a minhas infância e adolescência, que constantemente me lembro quando acabo de fazer uma bela merda: - Puta que o pariu Junior, de novo?! E como tenho a sensação de estar prestes a cometer outra, quis registrá-la aqui.


Outra coisa, embora sendo de ESQUERDA até o cerne dos meus ossos, a ponto de se me abrirem o peito, muito possivelmente, encontrarão entranhados em mim uma foice e uma martelo, não comungo da crença de muitos dos meus pares canhoteiros que bandidos (não confundir com marginais que são as pessoas que vivem à margem da sociedade por falta de opção ou por escolha) são, na realidade, REVOLUCIONÁRIOS PRIMITIVOS. Dá até dor no peito ouvir um bostejamento desses mas, acreditem, eu já ouvi em uma reunião profissional.


Desculpem, mas desculpem mesmo, a minha ignorância, mas, pra mim, não é sano comungar dessa ideia.

Eu não acredito que dois caras em uma moto, caçando senhorinhas indo trabalhar as cinco horas da manhã, um dia terão consciência política para uma reação crítica contra o capitalismo e a exploração inaceitável do trabalhador. Não dá pra ter tal esperança. E, pra mim, essa turma já é carne queimada e por eles muito pouco há o que se fazer além de torcer para não serem transformados em mais um número nas estatísticas de mortos violentamente, e possam ser resgatados por algum trabalho religioso nas penitenciárias.

Mas bem, vamos ao que interessa, tentar chegar a uma conclusão sobre o tema policiais e política.

A cada eleição, seja Municipal (candidatos a vereadores e prefeitos) ou Geral (candidatos a deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores e presidentes da república), vemos aumentar o número de Meganhas (gíria marginal para identificar policiais) se candidatando aos cargos que listei anteriormente, com maior preferência a cargos do Poder Legislativo. E nesta eleição de 2026 não será diferente.

Se em 2022 tivemos, no estado de São Paulo, aproximadamente 135 candidatos ligados a Segurança Pública, não será surpresa, que na próxima eleição este número se mantenha ou até aumente.

Mergulhados até o pescoço no discurso da segurança pública. Vociferando a todo momento que a sociedade vive um caos de insegurança, que o tráfico está destruindo as relações familiares, que já não é possível andar tranquilamente pelas ruas sem ser assaltado, roubado, furtado, assassinado ou, quem sabe, abduzido por seres de outros planetas ou dimensões. Disparando palavras a cada frase que aumentam a sensação de desamparo e que, para ser o mais direto possível, só servem para elevar ainda mais o distanciamento social, o esvaziamento das ruas, a crença de que a cada esquina há um criminoso esperando o cidadão de bem (como eles gostam de dizer mas que eu me pergunto sempre: - De bem com quem?).

E quais são as propostas desses profissionais da segurança pública para se lidar com a insegurança pública?

Mais polícia ostensiva, mais vigilância, mais violência, mais armas, mais leis, algo que reconheço fazer sentindo sim (agora os comunas que me lerem vão dizer que eu sou pelego mas, quer saber: -Vão se foder também, antes que eu me esqueça!), mas só isso, ou mesmo, começar por essas questões, não resolve nada, há muitas outras variáveis nessa equação que precisam ser resolvidas antes dessas para começarmos a reconhecer mudanças sociais que podem até descartar a necessidade das intervenções propostas por eles. Além do mais, quem se candidata pelos partidos que essa turma se candidata, que apoia governo que propõe e faz a terceirização de empresas e serviços públicos, sendo eles mesmos servidores públicos, que adoram uma greve de professores para demonstrar todo seu amor pela categoria e distribuir carinhos com balas de borracha e cassetetes nos profissionais da Educação, devem ser, no mínimo, admirados à distância e com muitas, mas muitas, mas muitas ressalvas mesmo.



Nunca vi sequer um policial candidato mencionar a necessidade de justiça social neste país onde o abismo entre as classes sociais é gritante e berra a todos os ouvidos e olhos que só não vê quem não quer; nunca vi um deles acompanhando e apoiando manifestações populares na frente de secretarias municipais ou estaduais, de ministérios federais, cobrando a melhoria dos serviços públicos como Educação, Saúde e, até mesmo, a porra da Segurança Pública, da qual esses cidadãos, com cérebros mais quadrados que o de um cubo mágico (pois este ainda se move) vivem reclamando que precisa melhorar.

Mas de onde surgem essas figuras?

Os mais conhecidos no momento, são os que até os anos 2010, antes de se reformarem da polícia militar de São Paulo, apareciam nos programas de televisão (me nego a chamar esses espreme-que-sai-sangue de jornais e seus obesos e histriônicos apresentadores de jornalistas) sempre dando informações sobre ocorrências criminais e suas opiniões cheias de achismos como este artigo aqui mas, pelo menos eu, reconheço que entendo bulhufas do tema.


Contudo, atualmente, a sociedade vive um momento onde daqui para frente é só pra trás, as redes sociais, principalmente naquelas que se assemelham a canais de T.V., deram mais reverberação a estes cidadãos, seja nos canais de toda e qualquer matiz, seja nos podcasts que glamorizam as ações, muitas vezes questionáveis desses senhores enquanto agentes de segurança pública. Alguns até beiram a fabricação de provas contra si mesmos confessando maus feitos como: agredir pessoas usuárias de substâncias, presenciar abuso de autoridade e prevaricar não denunciando a chefia aos órgãos competentes, coações em ocorrências e por aí vai. Tudo isso para alegria da patuleia que se regozija com a violência pela violência inócua em si mesma, só demonstrando o nível de inaptidão para o cargo desses senhores que conseguiram se aposentar mesmo com tantas demandas a serem analisadas em suas ações de policiamento e privadas.

E como esses candidatos que tem a militância política (não partidária, enquanto cidadãos ativos e conscientes de sua importância na transformação da sociedade) comparável a de um pé de alface murcho, que entendem de Educação, Saúde e Segurança Públicas, Política e Economia o mesmo que um chimpanzé com severas restrições cognitivas entende de Física Nuclear (isso nem eu entendo ou me atrevo a dar pitaco) conseguem espaços nas legendas partidárias?

A resposta é simples meu caro: Eles são Puxadores de Votos!

Segundo a definição do site da Câmara dos Deputados Federal, Puxador de Voto são “ aqueles candidatos que obtêm número significativo de votos – acima do quociente eleitoral ou como percentual dos votos válidos depositados nas urnas – e concorrem, assim, para puxar a eleição de candidatos menos votados”.

E sabe por quê são eleitos?

Porque grande parcela do eleitorado tem fetiche por farda. Algumas pessoas alimentam: ou doce ilusão que a disciplina militar seria ferramenta transformadora da sociedade por si só ou fantasias tórridas com militares das mais diversas patentes lhes possuindo ou aos seus companheiros com a virilidade de um búfalo ou garanhão no cio. Só pode ser isso, não encontro outras explicações. Se você tiver outra, por favor, deixe aqui nos comentários para eu tentar entender essa particularidade do nosso processo eleitoral.

Se você, com estômago para ler esse texto até aqui, conseguir me explicar como um efetivo de, aproximadamente, segundo o Portal da Transparência Pública do Estado de São Paulo, 80.586 praças ativos, referente ao Exercício de 2025, elegeu um total de oito (8) deputados federais, quantidade de eleitores que mal conseguiriam eleger dois (2) vereadores para a Câmara da Cidade de São Paulo, sozinho, eu paro por aqui. Mas sabemos que a grande maioria dos seus votos vieram de eleitores que os seguem em redes sociais ou em programas de televisão que exploram a miséria social para  garantir a sua audiência.

Portanto, para mim, é preciso que todos nós, eleitores deste ou daquele viés ideológico analisemos melhor quem será digno do nosso voto: pessoas realmente engajadas em propostas capazes de transformar a sociedade ou em candidatos sem a mínima ideia da importância do cargo e que, muito provavelmente, votarão em projetos sem o mínimo de compromisso com as expectativas da população e que, em muitos casos, serão prejudiciais à nação e aos interesses de quem os elegeu!

Referências:

Câmara dos Deputados Federais


#eleições 2026; #Candidatos Policiais; #Direita; # Esquerda; #A Pedagogia do Deprimido; Professor 333, o Meio Besta

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